Trabalho Final de Graduação do curso de Design Gráfico da Universidade FUMEC.
Raquel Pinheiro Cintra
Orientador: Prof. Hugo Werner
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APRESENTAÇÃO: O projeto consiste em uma abordagem pessoal escolhendo como elemento de experimentação a área de design de créditos para cinema, mais especificamente o filme Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha.
Para ter uma liberdade maior de experimentação foi criado uma situação hipotética de um remake do filme, desvinculando o filme original desta proposta de design de créditos, uma vez que o objetivo é a investigação de linguagem.
CONTEXTUALIZAÇÃO: cinema novo "Um estilo que procura redefinir a relação do cineasta Brasileiro diante das exigências materiais e as convenções de linguagem próprias do modelo industrial dominante. A carência deixa de ser obstáculo e passa a ser assumida como fator constituinte da obra, elemento a sua estrutura e do qual se extrai a força de expressão...Faz da fraqueza a sua força, transforma em lance de linguagem o que até então é dado técnico" . (XAVIER, ISMAEL - 2007, pág.13)
OBJETIVOS: o Objetivo principal é a investigação de linguagem, experimentando técnicas, gerando novas possibilidades expressivas, passando por uma narrativa que sintetize em poucos minutos o enredo do filme. Fazendo uma “embalagem audiovisual” que prepara o espectador para o que está por vir. Pretende-se que as informações dos créditos deixem de ser puramente literal e passe a ter outros valores, baseados em simbolização e metáforas.
CONCEITO: O conceito gira em torno da eterna batalha entre o bem e o mal, que acontece independente de nível social, de lugar, de crenças, etc. E é o conceito do próprio filme, onde esse duelo acontece em várias situações, porém o que muda são os personagens. Isso representado visualmente e dinâmicamente pela metamorfose simbólica dos vários temas visuais e elementos apresentados. Por exemplo as escamas que se transformam em balas ou as árvores retorcidas que se transformam em rachadudas do chão, etc. Nas animações das tipografias nas cartelas, como no nome do filme, onde o frase do dragão entra pela esquerda e a frase do santo entra pelo lado oposto e ali acontece o choque, simbolizando o embate do bem contra o mal, do dragão contra o santo guerreiro.
METODOLOGIA:
Pesquisa
Partindo da escolha da área de concentração e do tema , iniciou-se a coleta de materiais necessários para a pesquisa.
Para o tema, foi estudado um sobre o Cinema Novo no Brasil, serviram como base os livros Alegorias do subdesenvolvimento e Sertão Mar, ambos de Ismael Xavier, o que resultou num embasamento sobre o pensamento e os modos de produção da época. As características do sertão e cangaço, que é a base da narrativa do filme, também foram pesquisadas, como os animais, vegetação, trajes de cangaceiros, armas, etc.
Também foi pesquisado o significado do título Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. Popularmente, Santo Guerreiro é a como São Jorge é conhecido, o santo que luta contra contra o mal, esse ilustrado como o dragão. De acordo com o Jean Chevalier no livro Dicionário de Símbolos “o combate de São Jorge ou São Miguel ilustram a luta perpétua do bem contra o mal, tema que está em todas as culturas, religiões e até materialismo dialético da luta de classes.” No Ocidente, o dragão é visto como símbolo do mal e das tendências demoníacas, guardião dos tesouros ocultos, ainda no dicionário dos símbolos “como símbolo demoníaco se identifica como serpente”. Fazendo a transposição para o universo do Sertão, o dragão pode ser visto como a serpente, o calango, o lagarto. Já o Santo Guerreiro pode ser visto como o gangaceiro, que quer fazer justiça, tirar dos que tem muito.
No campo do audiovisual, dois livros serviram como referências: El Diseño Audiovisual, de Rafael Rafols e Antoni Colomer onde colaborou no entendimento dos signos visuais, ícone, símbolo, metáfora, estética, persuasão, além do conteúdo histórico sobre o audiovisual e design de créditos; o livro Uncredited, de Gemma Solana e Antonio Boneu foi de extrema importância para a pesquisa de design de créditos propriamente ditos, tanto teoricamente quando visualmente e sonoramente.
O livro O Design Gráfico Brasileiro: Anos 60, de Chico Homem de Melo auxiliou no entendimento da produção de design nos anos 60 e serviu como referencial estético, que será explicitado mais a frente nesse texto.
Associações
Após o levantamento das imagens que faziam parte do univeriso tratado no filme, foi feito o processo de recortes e colagens que logo surgiu associações entre os fragmentos. Como por exemplo o lagarto como símbolo do mal, o detalhe de sua pele em ultra-close é o chão pedregoso do sertão. Essa poética da escala, esse processo metamofósico foi o ponto-chave e a partir desse processo algumas palavras e expressões foram sistematicamente identificadas e permearam todo o projeto. Algumas dessas palavras: bem e mal, duelo, embate, combate, batalha, violência, imperfeição, áspero, arrastado, rústico, arranhado, seco, rugosidade, ríspido, duro, textura.

Imagens
Primeiro passo após a coleta de fotografias da pesquisa iconográfica, foi produzir imagens que pudessem ser utilizadas no vídeo. Voltando na citação de Glauber, “...carência deixa de ser obstáculo e passa a ser assumida como fator constituinte da obra, elemento a sua estrutura e do qual se extrai a força de expressão...Faz da fraqueza a sua força, transforma em lance de linguagem o que até então é dado técnico”, optou-se por utilizar uma câmera filmadora caseira para captação dessas imagens, foi utilizado uma handcam de 1CCD. Ainda não suficiente a quantidade de imagens necessárias, optou-se por retirar trechos de outros filmes para completar o banco de imagens do vídeo.

Tipografia
Novamente pensando na falta de recurso como linguagem, optou-se por fazer a tipografia artesanalmente. A primeira opção foi fazer carimbos, recortando letras em borrachas e prensando sobre a tinta, mas após alguns rascunhos, apareceu a possibilidade de utilizar a tipografia de madeira, como se um cangaceiro estivesse “cavucando” um toco de madeira com seu facão, dando um aspecto de rústico, imperfeito, feito a mão. Essa tipografia 3D filmada foi utilizada como elementro de contraste com as imagens, dando ritmo. A tipografia imersa em tinta e prensada sobre o papel originou a fonte utilizada nas informações da cartela. Testes feitos em chapas de radiografia, arranhando os nomes dos atores foram aproveitados para entrar como interferências.

Cor
No sertão as árvores secam, suas folhas caem, os troncos e galhos secam e distorcem por causa do sol, dando assim uma cor pardo acizentada. A opção de utilizar imagens desaturadas e em alto contraste colaborou dando uma uniformidade visual, uma vez que a foram utilizadas várias formas de capturas de imagens, ora mini-dv, ora betacam, ora película, ora HD, ora fotografia digital. Salvo imagem que introduz a peça, que é colorida, imagem do sol nascendo em céu vermelho, que simboliza a terra do sol.
Som
Nesse momento, após os vários processos de até então, pensar no áudio foi de extrema importância para auxiliar no sentido, no clima tenso e no time que o vídeo teria. Foi feito uma decupagem sonora de todo o filme original, onde todos os sons foram analisados, tanto no aspecto técnico, como agudo ou grave, longo ou breve, e outros aspectos sonoros como tensão para analise se poderiam ser re-utilizados para trilha. O próximo passo foi montar um banco icono-sonoro. Instrumentos percussivos, texturas dos materiais utilizados para o vídeo como o ruído das tipografias de madeiras, gravações de ruídos de máquinas que cortam madeira, lixadeira, trechos de áudio do próprio filme. Na edição a montagem de uma trilha base foi importante para guiar o ritmo das imagens. Após edição pronta, foi feito um processo inverso, onde ruídos foram introduzidos de acordo com a imagem.
Todo o processo foi catalogado em um livro de processo

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